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A importância de diferenciar sentimento de sintoma

Dr. Luiz Eduardo Wanrowsky Fissmer

Em tempos de turbulência econômica, político-ideológica (vide a polarização), comportamental, moral e sanitária (vide a recente pandemia de covid-19), fenômeno global no mínimo catalisado pela revolução tecnológica a qual, por suas benesses, cobra o preço de uma vida acelerada, o adoecimento psíquico avança a ritmo de galope. Vivemos como se de carona num carro em alta velocidade em risco de sermos arremessados para fora dele a qualquer momento, disse o filósofo-sociólogo. Permitir-se a decisão de tratar tal adoecimento “da alma” pode ser desafiador em meio a tão confusa distinção entre certo e errado.

Experienciar sofrimento é parte da vivência natural humana. Sim, sofrer faz parte da vida, afirma sabiamente o conceito popular. A questão é evitar que a generalização do conceito impeça o reconhecimento do adoecimento das emoções, do pensamento, do comportamento e da capacidade de perceber os mundos interno e externo.

Sem má intenção, e estimulados pelos próprios mecanismos de defesa inconscientes, as pessoas tendem a extrapolar suas vivências ao interpretar as dificuldades subjetivas do outro, na linha de “assim como todo mundo, ao menos em algum momento da vida já senti tristeza, angústia, ansiedade e talvez até mesmo desespero e, lidei com isso sozinho, o que o outro sente deve necessariamente ser semelhante e também administrado de maneira semelhante”, negando que, da mesma maneira a que um coração adoecido pode simplesmente sair do ritmo, quando não parar de bater, o cérebro biológico também pode “sair do ritmo”, o mesmo valendo para a psique subjetiva.

É parte das prerrogativas do médico psiquiatra a diferenciação entre o sofrimento natural e o que faz parte do transtorno mental, esse merecendo reconhecimento e tratamento, cabendo ao indivíduo que sofre permitir-se ter ajuda.

E lembre-se: você importa.

Dr. Luiz Eduardo Wanrowsky Fissmer – Psiquiatra – CRM 12175 RQE 9184

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