Nos últimos meses, tem-se observado nas redes sociais uma informação, como uma “dica” para as mães, de esfregar alimentos na pele do bebê antes da introdução alimentar, como forma de “testar” possíveis alergias. Divulgação que tem preocupado especialistas, que embora a intenção da postagem mostre a intenção de proteger a criança, essa prática não é recomendada pela medicina, e pode, na verdade, causar efeito oposto.
“Sabemos atualmente, com base em evidências científicas sólidas, que o desenvolvimento de alergias alimentares está diretamente relacionado à forma como o organismo entra em contato com os alimentos. O intestino quando saudável, é um ambiente que favorece a chamada tolerância oral, ensinando o sistema imunológico a reconhecer os alimentos como seguros. Já a pele, especialmente em bebês, e ainda mais naqueles com dermatite atópica ou pele sensível, pode funcionar como uma porta de entrada para a sensibilização alérgica”, alerta a alergologista pediátrica do Complexo Médico Provida, Dra. Larissa Machado Carvalho.
A médica destaca que ao invés, de testar se a criança tem ou não alergia, esfregar alimentos na pele pode expor o sistema imunológico a proteínas alimentares de forma inadequada, favorecendo a produção de anticorpos IgE e aumentando o risco de desenvolvimento de alergias alimentares.
Orientação médica
A recomendação atual das sociedades de pediatria e alergia é clara: a introdução alimentar deve ser feita via oral, de forma gradual e orientada, sem a necessidade de testes prévios na pele.
“Em caso de dúvidas ou histórico familiar de alergias, o ideal é procurar avaliação com um especialista. Cuidar da saúde das crianças também passa por filtrar informações. Nem toda dica compartilhada é segura e, nesse caso, o que parece prevenção pode aumentar o risco”, completa.

Dra. Larissa Machado Carvalho – alergologista pediátrica