Pesquisa científica em fase inicial, divulgada como esperança na recuperação dos movimentos corporais
Nos últimos meses, uma pesquisa brasileira, conduzida pela cientista Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem gerado grande repercussão no país. Estudos iniciais baseados na polilaminina, divulgados como uma grande esperança na recuperação de movimentos de pessoas paraplégicas e tetraplégicas estão causando uma grande corrida para acesso ao uso da substância. Motivo de preocupação de médicos, como o Dr. Nelson Ubaldo Filho, do Complexo Médico Provida, pela falta, até o momento, de comprovação científica de sua eficácia.
“A polilaminina é uma proteína desenvolvida a partir da placenta humana, criada e desenvolvida em laboratório, que recentemente reacendeu as chances de recuperação em pacientes com lesão da medula espinal. Essa proteína é estudada há mais de 20 anos. O composto é uma versão recriada em laboratório da laminina, que é uma proteína que ajuda os neurônios a se conectarem. Então, sim, ela é uma esperança muito grande em pacientes com lesão medular. Porém, ela está numa fase muito inicial de estudos, e apesar de ser uma esperança e ter algum uns testes já positivos, ainda é muito cedo para poder dizer que a mesma pode ser utilizada em larga escala. Só para termos ideia, está duas décadas de estudos e ainda está na fase um de desenvolvimento, então ainda a grande caminho ainda pela frente”, explica Dr. Nelson.
Para que essa pesquisa seja aprovada, o médico destaca que é necessário mais pesquisas e testes, sobre segurança, efeitos colaterais, a médio e longo prazo e etc, porque não se pode liberar substâncias sem conhecer todos os efeitos que possam vir a surgir.
“O perigo é o fato de que os estudos não estão completos. Não temos segurança suficientes para a utilização em humanos no tratamento de lesões, como por exemplo, certeza que não causará um efeito teratogênico ou até mesmo causar câncer em alguma outra área do sistema nervoso, uma vez que ela é uma proteína que se desenvolve na união celular, que sabemos que muitos tumores se proliferam dessa forma. Isso ainda é uma preocupação bastante grande ainda, que não pode ser utilizada largamente”, ressalta.
Fases da pesquisa
Mesmo com toda divulgação, a pesquisa está na fase 1 do desenvolvimento científico, que segue os protocolos de desenvolvimento de qualquer medicamento.
“As etapas de um experimento científico compreendem a observação, a formulação de perguntas e hipóteses, a experimentação, a análise de dados e depois por fim a conclusão. Todas as fases realmente demoram um período bastante longo, porque é necessário sobre tudo da segurança dos resultados”, destaca Dr. Nelson.
Esperança na polilaminina
Para o médico a palavra no momento é cautela na divulgação dos resultados e na procura pela utilização da substância.
“Não podemos sair correndo para fazer uso da polilaminina, ainda não é seguro. As pessoas envolvidas nos testes ainda são consideradas voluntárias. Elas estão participando de um estudo, ainda inconclusivo e até mesmo que pode ter algum prejuízo posterior, mas é uma grande esperança. É uma possibilidade extremamente importante. Os resultados iniciais parecem realmente promissores, mas, temos que ter muita cautela. Não está na hora inda de sairmos usando, é preciso uma segurança maior dos seus benefícios”, completa.

Dr. Nelson Ubaldo Filho – CRM 3097 RQE 10163