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Provida realiza encontro sobre autismo e destaca desafios do dia a dia com foco em acolhimento e orientação

A equipe multidisciplinar orientou e esclareceu dúvidas sobre cuidados diários em casa e na escola


No cotidiano com uma criança com autismo, dúvidas, desconhecimento e desafios fazem parte da rotina, mas também são acompanhados de descobertas importantes. Pensando em promover informação e troca de experiências entre famílias, educadores e profissionais da saúde, o Complexo Médico Provida realizou, no dia 15 de abril, o encontro com o tema “Compartilhando vivências: Dia a Dia com autismo”.

O evento, organizado pela Provida Pediatria, foi planejado como um espaço de acolhimento, orientação e conexão entre todos que convivem ou desejam compreender melhor o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A proposta reforçou a importância do diálogo e do acompanhamento multidisciplinar no cuidado com as crianças.

Entre os temas abordados, um dos destaques foi a rigidez cognitiva. Característica comum no autismo, que se refere à dificuldade em lidar com mudanças de rotina, imprevistos ou novas situações. A neurologista pediátrica Dra. Caroline Liana Medeiros (CRM 16525 RQE 16178 ) explicou que essa inflexibilidade pode gerar estresse e resistência por parte da criança, mas que existem estratégias que podem ajudar no manejo.

“Nós profissionais podemos orientar algumas formas para ajudar nas inflexibilidades, na repetição de padrões e nas resistências às mudanças. Um exemplo é o uso de placas, como ‘proibido’ ou ‘pare’. Placas de comunicação alternativa que ajudam a criança a se preparar para algo que vai acontecer, evitando que ela seja pega de surpresa, o que pode levar à negação imediata”, destacou.

Outro desafio frequente relacionado à rigidez cognitiva é a alimentação. A seletividade alimentar é uma queixa comum entre familiares, especialmente durante as refeições. A nutricionista pediátrica Géssica Cruz Medeiros (CRN: 5373) ressaltou que não existe uma fórmula única para lidar com a questão.

“Na internet há muitas dietas para autistas, mas é preciso ter cuidado: não existe uma receita pronta. No geral, eles são seletivos, e isso varia conforme o espectro. É importante trabalhar o lúdico, as texturas e as consistências que a criança aceita. É um processo desafiador, que exige acompanhamento multidisciplinar e interação gradual, respeitando as escolhas do dia a dia”, explicou.

Outros profissionais

A programação também contou com a participação da psiquiatra infantil Dra. Luísa Dacoregio (CRM 277632 RQE 5506) , que trouxe uma abordagem prática ao falar sobre o uso de filmes infantis como ferramenta de apoio no desenvolvimento emocional e social. Segundo ela, conteúdos audiovisuais podem ajudar na identificação de sentimentos, estimular a comunicação e facilitar a compreensão de comportamentos, desde que utilizados de forma orientada.

Já o odontopediatra da Provida Odontologia, Dr. Eduardo Pacheco (CRO/SC 9346) abordou os desafios enfrentados na higiene bucal e nas consultas odontológicas. Ele destacou que a sensibilidade sensorial, comum em crianças com TEA, pode tornar momentos como a escovação dos dentes ou a ida ao dentista mais difíceis. Por isso, é fundamental investir em adaptação, paciência e estratégias individualizadas para tornar essas experiências mais tranquilas.

Público

Para a pedagoga e psicopedagoga clínica Renata Mendes participar deste evento foi muito mais que conhecer as especialidades que atendem as crianças autistas.

“Esse encontro foi muito importante, que agregou muito o nosso conhecimento. Tivemos uma prática que a gente precisa no dia a dia, tanto com as crianças autistas na escola, como também em casa, com a família. Foi sem dúvida, um ótimo momento para trocarmos informações e conhecimento”, completa.

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